Momentos

Há momentos na vida em que olhamos para trás e não conseguimos explicar exatamente o que aconteceu. 

Só sabemos que desde que aconteceu, nunca mais nada voltou a ser o mesmo.

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Selvagem

Sou bicho do mato. Bicho selvagem. Cresci e me criei. Sempre só. Desconfiada. Sempre atenta aos mínimos detalhes. Observando. Analisando. Sempre de orelha  em pé.

Me arrepio e ataco os que tentam entrar. Meus espinhos não permitem. Mostro os dentes para amedrontar. Coloco as garras de fora.

Um passo falso e ao invés da fuga, ataco.

Quando mais nova, não tinha esse poder. Só me restava fugir.

Hoje coloco as garras pra fora e vou pra cima.

Não confio em ninguém.

Ninguém realmente me conhece.

Ninguém sabe do que sou capaz.

Ninguém sabe nada.

Ninguém tem que saber nada sobre mim.

Cresci sozinha. Me criei.

Bicho do mato só esperando para atacar.

Fique atento.

Atento para não virar a caça. Porque aqui, a caçadora sou eu.

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Brupolar

 

 

Mergulho Introspectivo


​Ninguém me conhece melhor que eu, mas… e quando chega um momento que sinto não me conhecer tão bem assim? A gente se descobre. Cobre. Redescobre. E mesmo assim, ainda me sinto desconhecida. 

Gostos novos, que antes não sabia gostar. Estranhos. Diferentes. Anormais, talvez.
Desgostos novos, que antes acreditava gostar.
Dúvidas surgem.

Mergulho no mais profundo interior subjetivo, na zona abissal, na umbralidade, na parte mais obscura e sombria. E ainda assim sem respostas. Cada dia me descobrindo. Cobrindo. Redescobrindo. E acima de tudo me surpreendendo por ter pensado por tempos que me conhecia de alguma forma.

Inocente.
Brupolar.

Suficiente


Como dói não ser o suficiente pra alguém. Não ser boa o bastante. Não agradar a ponto de ser única. Ser só mais um número, mais uma vez. Mais uma.

O coração aperta, vem o nó na garganta e sentimento de impotência. É tão grande a infelicidade que não se contém dentro de você. Transborda. Lágrimas escorrem.
Por que não sou o suficiente? O que falta? O que tem de errado comigo?
Questões que não se calam e também não são respondidas.
A dúvida fica no ar e a dor dentro de você.
Por que não sou o suficiente?
Por quê?
A vontade é de sumir. Desaparecer assim do nada mesmo. Ficar fora do ar até estar bem o bastante pra não se sentir tão afetada. Sumir. Sumir até as coisas se acalmarem. Até meu nó na garganta se dissolver. Ou eu me acostumar com sua presença lá.  Me acostumar a não ser o suficiente. Me acostumar com a ideia de que nunca serei.
Sumir é utopia. No mundo real só é possível se isolar.
Isolada estou.
Isolada permanecerei.
Brupolar.